quarta-feira, 15 de junho de 2016

Entre o racional e o irracional


Nós, torcedores de futebol, somos extremamente irracionais. Primeiro porque nós gostamos de ganhar mais do que nós gostamos do futebol como esporte. Acho que falei sobre isso, de forma crítica, aqui neste blog. Mas eu esqueço de dizer que eu também fico irritado quando o Corinthians perde, ou quando a seleção, essa máquina de fazer dinheiro aos cartolas da CBF, sofre uma das constantes humilhações pós-7x1.

Depois porque, já que gostamos tanto de ganhar, somos extremamente impacientes quando nosso time vai mal. E foi por isso que meu irmão pediu tanto #ForaTite no Corinthians nessa semana em que o time perdeu do Palmeiras. Eu fiquei realmente irritado. Mas como é teimoso esse Tite que não mexe no time e ainda me põe o André Balada no ataque! É aquela forma antiquada de pensar o futebol que eu também já combati aqui neste blog. Eu também pensei várias vezes dessa forma, pensei dessa forma na vitória do Palmeiras domingo. Sem saber que ia demorar tão pouco para ficarmos sem Tite no Corinthians.

Mas torcedores de futebol são assim mesmo, irracionais, contraditórios. Como os jornalistas que apostavam no fiasco do São Paulo em janeiro e agora o veem como favorito a ganhar a Libertadores. Pela ótica da razão, os trabalhos de Tite no Corinthians são excepcionais, especialmente depois de 2011: 2 brasileiros, uma libertadores, um mundial (é sacanagem dizer, mas Tite tem mais mundiais que o Palmeiras).

Ainda assim, derrotas fazem com que um trabalho pareça terrível. E fazem com que um treinador pareça ruim. Houve uma época em que o Corinthians demitia treinador no primeiro sinal de crise. E a torcida muitas vezes aplaudia. Foi nessa época que o Corinthians caiu pra Série B.

Em 2010, Mano Menezes era o grande herói corintiano e Dunga (olha aí) o grande vilão. Quando o segundo saiu da seleção, o primeiro saiu do Corinthians. Após um período sob o comando de Adilson Batista, o Corinthians foi atrás de Tite. Era ele quem estava lá quando o Corinthians saiu na Pré-Libertadores contra o Tolima.

Naquele momento, eu também fui #ForaTite.

Mas aquele momento definiu a vida do time que seria campeão do Brasil, da América, do Mundo.

Sempre que eu me lembro daquele momento, eu imagino que talvez Tite estivesse preparando a virada para o Corinthians. Não seria a primeira vez, nem seria a última. O encontro da racionalidade de lembrar do ótimo trabalho de Tite com a irracionalidade de achar que, estando ele ali, o trabalho pode se repetir.

Se eu estava certo ou não, jamais saberemos.

Nesse meio tempo, Tite e Corinthians quase que se tornaram um só. Nenhum técnico corintiano teve, na última década - na história, talvez apenas Osvaldo Brandão tenha tido mais - afinidade com a torcida, com quem ele assistiu, entre o técnico racional e o torcedor irracional que nele convivem, a vitória do Corinthians sobre o Vasco nas quartas de final da Libertadores em 2012 (Mauro Beting considera esse o momento mais corintiano de Tite e o mais decisivo do Corinthians naquele torneio).

Não é de se surpreender que Tite tenha recebido da torcida corintiana um carinho tão grande. E não é à toa que a torcida se despede de forma tão calorosa agora que ele deixa o clube não por maus resultados, mas para comandar a seleção brasileira. É mais um louco do bando, que pela segunda vez vai sair literalmente para o mundo, só que dessa vez representando uma seleção que joga mal e tem cada vez menos representatividade numa torcida que, irracional, está de saco cheio de humilhações.

Vai apanhar da mídia, vai ser cobrado, vai ser esquecido por tudo que fez pelo Corinthians e dificilmente vai ganhar o hexa - ao menos em 2018. Ainda assim, olho pelo racional e penso que fará um excelente trabalho, dentro das possibilidades dadas por uma CBF incompetente presidida por um sujeito que não sai do Brasil pra não ser preso.

Mas eu gostaria de, meio racional e meio irracional, me juntar ao coro dos corintianos que hoje se juntaram pra dizer #ObrigadoTite. Pelos títulos, pelo ótimo trabalho, por ser o melhor treinador do Brasil aqui no Corinthians. E pela esperança que tenho ao lembrar da derrota para o Tolima seguida um ano depois pelo título inédito da Libertadores. Esperança que me acompanha agora que o desafio é na seleção apática pós-Dunga. E da qual eu gostaria que compartilhassem todos os corintianos, palmeirenses, são-paulinos, santistas, flamenguistas, tricolores, botafoguenses, vascaínos, atleticanos, cruzeirenses, gremistas e colorados neste momento difícil para o nosso futebol.

Porque como mais um louco do bando, aprendi que na hora H não há nada mais racional do que ser irracional e dizer, quando ninguém mais acredita: eu nunca vou te abandonar.

sábado, 16 de abril de 2016

O benefício da dúvida


"Se você não está em dúvida, é porque foi mal informado". Desconheço a autoria da frase. Ela aparece no meio do filme "O Mercado de Notícias", de Jorge Furtado. Escrita de outra forma, talvez. É que minha memória está muito confusa...

Na intervenção que a Mídia Ninja (a Globo usa O Antagonista como fonte, eu uso o que quiser também) fez na velha MTV, exibida na tarde de seu último dia de transmissões, Cláudio Prado foi ainda além:

"Os moleques dizem assim: 'ah, tô na dúvida'. Graças a Deus! Se você tivesse certeza, cê tava fodido num momento que nem esse! (...) Nesse momento, o caos passa a ser uma coisa extremamente interessante e positiva".



Eu estou na dúvida há muito tempo. Não desde a eleição, nem desde o primeiro protesto a favor da saída de Dilma Rousseff, realizado no dia 15 de março do ano que passou. Eu estou em dúvida desde o dia em que percebi que, no programa de auditório que se tornou a política brasileira, todos os lados, inclusive aqueles que pareciam mais ponderados, só fazem repetir slogans. E certezas absolutas, incontestáveis, que regem esses mesmos slogans.

O governo mais corrupto da história, não vai ter golpe, é preciso investigar os dois lados, Dilma foi um desastre mas impeachment não é legítimo, sou contra PT e PSDB e quero uma alternativa política, sou contra o capitalismo e quero a revolução. Todos os textos que analisam a crise política partem de uma dessas premissas. Sem exceções. Até artigos acadêmicos, canais de YouTube e trenzinhos de meme estão fechados no meio da polarização.

E ela não é só PT e PSDB. É PT, PSDB, omissão, Psol, stalinismo, Luciana Genro, Bolsonaro... Fora de PT e PSDB há muitos caminhos, mas a boa parte deles dá em lugares escuros.

Falta debate. E sobra certeza. Só eu ainda tenho dúvidas. Estou bem informado demais? Ou eles estão bem informados, com as fontes certas, enquanto eu me alieno?

São 2h21 do dia 17 de abril no momento em que escrevo este trecho. Falta muito pouco para a Câmara decidir se encaminha ou não o pedido de impeachment de Dilma para o Senado. Os dois lados dizem ter os votos necessários para atingir seus objetivos. Como no clássico musical entre Polytheama, de Chico Buarque, e Namorados da Noite, de Toquinho, os dois times reivindicam a superioridade.

Enquanto pixulecos são levados ao plenário, amadores em geral seguem a discutir o que ocorre no país. Nas redes sociais ou nos táxis e bares da vida. De novo, não vejo dúvidas. Só certezas. Afinal, estamos a repetir 1992 ou 1964? Ao escolher uma das respostas, é proibido manifestar dúvida.

Mas porque o PT pediu impeachment de FHC? Naquele caso havia crime? Ou era outro PT?

Porque o PSDB, que acusou o PT de fascista por causa do comercial (acho que de 2001) em que os ratos roíam a bandeira nacional, usa expediente semelhante em seu marketing político agora que é oposição? Naquele caso sobrava honestidade? Ou era outro PSDB?

O impeachment vai moralizar o país? A Lava Jato vai parar se e quando Michel Temer assumir? Políticos que hoje negociam favores com o governo e com empresas vão deixar de fazê-lo se o presidente não militar no PT?

Dilma cometeu crime ou usou expediente válido? O dinheiro foi pra corrupção ou pra programas sociais? Porque os dois lados alegam, respectivamente, as duas coisas? Quem tem razão?

E afinal, o impeachment que entra em votação hoje tem a ver com um crime de responsabilidade ou é uma moção de censura que serve mais a um sistema parlamentarista? Parlamentarismo é solução para o Brasil? Quem seria o primeiro-ministro? Quais seriam os resultados de um parlamentarismo sob influência do PMDB?

Posso ser contra o impeachment e contra o governo? Pode um eleitor do Aécio ser contra o impeachment? Pode o contrário?

O Gregório Duvivier pode ser contra o impeachment? O Antônio Tabet pode ser a favor? Os dois podem explicitar suas posições sem acusações de se venderem para Lei Rouanet e Luciano Huck? Você sabe como funciona a Lei Rouanet?

Posso ficar em casa domingo? O Silvio Santos pode não passar a votação ao vivo e ser uma opção para este hipotético eu?

Quem vai pra rua contra o impeachment não necessariamente defende o governo? O que o Lula faz nesses protestos então? E por que ele é recebido nesses protestos como uma estrela de Hollywood?

Esses protestos são convocados pela CUT petista? Então a FIESP tucana convoca os protestos contra o governo? O que significa o pato da FIESP? Indignação com a corrupção ou com o aumento de impostos para os ricos?

Posso não ir pra nenhum desses protestos e concordar com algumas coisas de um, de outro ou dos dois? Posso não ir pra rua mesmo concordando integralmente com um ou outro?

Desculpe se me alonguei nesses questionamentos. São 2h44 e eu tenho que dormir (não sem antes ouvir uma infinidade de músicas e ver alguns vídeos no celular). Mas se a ausência de dúvida é sinal de boa informação, então eu estou bem informado demais. Ou a frase não é verdadeira? Olha aí, mais uma dúvida.

Que neste domingo a dúvida atormente a todos vocês.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Por que a NFL não é isso tudo que você está pensando


Não se preocupem que eu não tenho nada contra modinhas - o autor destas linhas gosta da Taylor Swift -, mas será que eu deveria seguir o conselho de gostar do que as outras pessoas gostam?

Alexandre Cossenza, no Esporte Final, disse isso claramente em seu post com motivos pelos quais o futebol americano cresce no Brasil:

"E se depois de ler isso tudo você, leitor, ainda acha que futebol americano é modinha ou coisa de “paga-pau de gringo”, o melhor a fazer é sair das redes sociais nas noites de quinta, domingo e segunda quando a próxima temporada começar. Mas quem sabe não chegou a hora de tentar ver umas partidas, escolher um time e ser feliz junto com essa turma de fanáticos que não para de crescer?"

Eu acho o futebol americano chato. Já tentei assistir ano passado, quando fui levado pela Katy Perry a ver o que ela preparava para o intervalo do Super Bowl. É difícil de entender, para toda hora, é cheio de intervalos e nem questiono aqui a duração de um jogo, pois as prorrogações podem fazer o outro futebol, o inglês, demorar três horas também, mas que é frustrante ver aquilo por tanto tempo... Pra mim é.

Então não, eu não entendo o que as pessoas enxergam nesse esporte. Ou melhor, tenho medo de entender. Mas se você acha que o futebol americano é melhor que o outro, o inglês, e que eu deveria ficar quieto sobre o assunto, então vou fazer como no post do Cossenza e explicar as razões pelas quais esse esporte não é o que você está pensando:

Não é tão bonito quanto você acha
No dia do Super Bowl, a Newsweek publicou em seu site um artigo intitulado "Você está 100% errado a respeito do futebol [americano]". Ali, Elijah Wolfson explica mais ou menos o que é o futebol americano:

"O futebol americano é uma mistura exagerada de regras, rituais e racionalizações para conter muito mal o caos. (...) Não tem regras de verdade: há um majoritariamente ambíguo conjunto de diretrizes aberto às interpretações volúveis de alguns homens de meia-idade. (...) Já comecei a mudar para esportes que não são exercícios intermináveis em um capricho melancólico".

Outros esportes, menos caóticos, pegam mais facilmente fora dos Estados Unidos - e até nos territórios do próprio, como o basquete da NBA, que já é um dos esportes mais populares do grande país do norte.

Não é tão surpreendente quanto você acha
O Denver Broncos de Peyton Manning foi o grande vencedor do Super Bowl 50, a final de jogo único da NFL. Mesmo sem gostar e acompanhar o esporte, o autor destas linhas ouviu tanto o nome do quarterback (sério, o futebol americano tem muitos adeptos no Brasil mas não traduziu o nome das posições?) que previu que isso iria acontecer.

Ainda que o outro futebol tenha seus MSN e BBC, ele nos surpreende muito mais facilmente e é menos premeditado (Chile campeão da Copa América contra a Argentina de Messi, após o 6x1 aplicado no Paraguai?).

É feito pra TV
Elogiar as transmissões da ESPN como ponto alto do esporte é totalmente válido - afinal, o interesse pelo esporte diminui muito quando se desliga a TV.

O Brasil teve um crescimento estrondoso na prática do futebol americano desde que criou seu primeiro campeonato oficial, em 2009. Mas mesmo com esse súbito interesse, o número de equipes que praticam futebol americano no Brasil está em proporção menor que o da Espanha (4x mais população, 3x mais equipes), onde a NFL repercute menos. Em 2015, a seleção brasileira precisou fazer vaquinha pra financiar uma viagem ao Panamá.

E cá entre nós, nos EUA é comum, mas quantos brasileiros jogam futebol americano de forma recreativa? Há mais jogadores de sinuca. Com o basquete foi diferente: muita gente que assistia arriscava uns arremessos de vez em quando. Foi assim comigo, nos tempos em que eu era fã do esporte.

Fora da TV, o futebol americano perde muita importância. O desfecho disso tudo pode ser o mesmo do UFC.

Cresceu no Brasil, só no Brasil
O futebol americano só faz crescer no Brasil. Ponto pro ótimo marketing feito pela ESPN ao longo dos anos em que perdeu eventos importantes para SporTV e Fox no outro futebol. Fora do Brasil, essas coisas não estão colando tanto.

Das versões latino-americanas da ESPN, apenas duas, a brasileira e a pan-regional, dão destaque à NFL em seus sites. Na Argentina é futebol do começo ao fim. Na Venezuela, algum destaque a algumas ligas americanas, mas não à NFL. No Chile é futebol do começo ao fim.

O interesse só cresce quando chega o Super Bowl - foi só aí que o espanhol El Pais arriscou fazer alguma cobertura do esporte.

Nos EUA, a terra em que esse esporte dá mais audiência, a NFL perde influência entre os Millenials: o interesse dos adolescentes americanos na NFL caiu de 26% para 19% nas últimas duas décadas. 61% deles identifica a liga como uma instituição "desprezível" (tipo a CBF?). Muitos Millenials preferem os outros esportes americanos (basquete, beisebol, hóquei no gelo e Stock Car) à NFL.

O futebol continua a ser o futebol
Muita gente achou que o São Paulo ia ao menos empatar o jogo de domingo, com um Corinthians "retrancado" tomando pressão do esquema que Bauza fez pra jogar o Tricolor pra cima do Timão no segundo tempo. Mais eis que o Corinthians ganha um escanteio. Bola cruzada na área (morte ao escanteio curto!), a zaga tira, mas Yago joga de cabeça num canto que nem dois Denis conseguiriam defender.

O futebol dos times milionários, dos cartolas corruptos, da TV que escolhe horários de jogos, da temporada longa em pontos corridos, continua a ser o futebol, reconhecidamente o mais bonito dos esportes. Pode ser que Brady ou Manning sejam Messis da NFL, mas onde você vai achar, nas divisões inferiores do futebol americano, um lance igual ao gol do Wendell Lira que levou o Puskas?

O futebol existe porque é o futebol, porque as forças do mal que se movem à sua sombra não conseguem destruí-lo. Quem acha que o futebol "inglês" é mais chato que o futebol americano, faz aquilo que acusa de fazerem os que não gostam do futebol americano: nunca viu e não entende.



E se o outro futebol tivesse o mesmo marketing e tino comercial do futebol americano? Ele seria ainda melhor para as TVs e marcas, mas foi sem nada disso que ele se tornou o esporte mais popular do planeta. É o mais popular apenas porque melhor.

***
- Bah! Isso que você tá falando é opinião pessoal. Você não gosta, mas tem um monte de gente que gosta.

Ótimo! Então tudo bem eu não gostar de futebol americano e usar o Twitter em quintas, domingos e segundas à noite nem que seja só pra falar de seriados pra ninguém me ver? Porque eu posso não gostar de NFL e gostar de redes sociais. Ou não gostar do jogo, mas querer ver o show do intervalo de vez em quando. E eu posso dizer, em alto e bom som, sem ofensa pra você que gosta: não sei o que você viu nesse jogo. E você pode me zoar por isso, ou não. Mas com "essa turma de fanáticos", eu jamais seria feliz.

Boas férias de NFL pra você, que seu time mande bem na próxima temporada. Me voy porque hoje tem Corinthians.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Silvio, ditadura e submissão


Duas pessoas estão em destaque na foto acima. Um é Silvio Santos, que dispensa apresentações. O outro é João Figueiredo, o último dos presidentes da ditadura que se seguiu ao golpe de 64 - que todo mundo afirma ser uma ditadura militar, ignorando a decisiva participação de civis no golpe, em especial os civis ligados ao governo dos EUA.

A foto é um lembrete de que Silvio, assim como os outros donos da mídia, está disposto a cortejar poderosos para conseguir o que quer. Não que eu esteja sendo um iconoclasta televisivo querendo destruir a imagem de Silvio Santos, mas é que esta semana saiu um meme transformando o Homem do Baú num herói dos Revoltados Online.

Segundo a imagem compartilhada no Facebook por centenas de revoltadinhos, Silvio orientou o SBT a ser "oposição de qualquer um que ferrar o povo". "Agora é pra bater até cair. E se não cair vamos morrer tentando. Conto com a audiência do povo de bem". A imagem já foi devidamente desmentida por Gilmar Lopes no E-Farsas, não é o caso de se preocupar com ela. Mas chama a atenção o fato dos revoltados tentarem transformar Silvio num guerrilheiro a favor do povo contra os governos malignos (os do PT, claro). Se você realmente acredita na boa vontade do patrão é porque você não sabe como ele construiu seu império televisivo.

Antes de continuar, é bom lembrar que a única emissora que realmente se opôs ao golpe de 64 e à ditadura dele decorrente foi a TV Excelsior, de Mário Wallace Simonsen, apoiador de Juscelino Kubitschek na eleição de 1965 (que nunca aconteceu) e do governo de João Goulart (que o golpe depôs). A Excelsior teve sua concessão cassada pela ditadura e saiu do ar em 1970. Esse era o destino de quem realmente se opunha à ditadura: perseguição e censura. Se alguma emissora sobreviveu aos anos 60 e 70, pode ter certeza de que ela apoiou os ditadores de plantão. Globo, Record e Bandeirantes trafegaram às escuras.

Foi nos anos 70 que Silvio ganhou sua primeira concessão de TV. O Notícias da TV de Daniel Castro revelou recentemente que Silvio tentou, já em 1971, ficar com o canal da Excelsior, mas o governo da ditadura recusou. Não porque fosse um "subversivo", como eles gostavam de chamar os opositores, mas porque o governo temia que o novo canal fosse popularesco em excesso. Em 1976, Silvio chegou lá: nesse ano foi ao ar a TVS, canal 11 do Rio de Janeiro. Um ano antes, Silvio mandou a seguinte mensagem ao presidente Ernesto Geisel:

É meu desejo formar uma rede de emissoras de televisão que aumentará a produtividade [sic] Nacional, auxiliando as pequenas e médias empresas com publicidade sem ônus [sic], profissionalizar os universitários de talento artístico, ampliar o mercado de trabalho para o Artista Brasileiro e dar ao Povo do nosso país uma programação que reúna Cultura [sic], Informação, Música e Entretenimento. 

Esteja certo de que eu não vou decepcioná-lo. Pode confiar.

Ajude-me a ajudar o Brasil, permitindo que este desejo se torne muito breve em realidade.

Em 1980, a Rede Tupi, dos Diários Associados fundados por Assis Chateaubriand, saiu do ar atolada em dívidas e o Brasil ficou com canais de TV vagos e sem imagem - era o espólio da Tupi, que incluía os canais 4 de São Paulo e 6 do Rio de Janeiro. O governo Figueiredo decidiu dividir o espólio em duas partes: uma encabeçada pelo 4 de São Paulo e outra encabeçada pelo 6 do Rio de Janeiro. Essa última incluiria também o canal 9 de São Paulo, inutilizado desde o fim da Excelsior.

Apresentaram-se para a compra, entre outros, os grupos Abril e Jornal do Brasil, mas Roberto Marinho temia a ambos, o primeiro pela capacidade de levantar dinheiro dos EUA - como o próprio Marinho fez ao montar a TV Globo em parceria com o grupo americano Time-Life - e o segundo pela tradição e rivalidade no mercado de jornais do Rio.

No livro O Quarto Poder - Uma Outra História, Paulo Henrique Amorim conta que "Marinho procurou demonstrar que o mercado brasileiro não comportava outras redes de televisão. Só havia dinheiro para ele. Chegou a enviar documentos minuciosos e secretos ao presidente da República, que foram parar nos arquivos pessoais do secretário particular do presidente, Heitor Aquino Ferreira".

Contra a Abril pesou a questão da nacionalidade: a legislação da época proibia que estrangeiros tivessem empresas de comunicação e os Civita não apenas sabiam levantar dinheiro fora do Brasil como eram eles mesmos estrangeiros - Victor nasceu nos EUA e viveu na Itália antes de se fixar no Brasil; Robert, que depois virou Roberto, era italiano e viveu um bom tempo nos EUA, onde trabalhou. Leonel Brizola se perguntou uma vez: "Quantos passaportes têm os Civita?"

Contra o JB, pesava a péssima administração (nos anos 80, o JB já estava morto. Foi enterrado nos anos 2000) e a desconfiança que Figueiredo tinha quanto ao governismo do Nascimento Brito, dono do Jornal.

Por fim o espólio da Tupi foi dividido entre Adolpho Bloch, que levou a Tupi do Rio e fez a Manchete, e Silvio Santos, que levou a Tupi de São Paulo e transformou a TVS em SBT.

Mais uma vez citando o livro de PHA, "talvez o que tenha pesado mais a favor de Silvio Santos foi o fato de ele possuir amigos do peito no governo. Délio Jardim de Mattos, ministro da Aeronáutica nos governos Geisel e Figueiredo, era seu fã. Além disso, Silvio tinha a simpatia de Dulce Figueiredo, mulher do presidente e parente de Carlos Renato, jurado de um de seus programas de auditório". Segundo uma matéria da Veja em 2000, "os militares, em geral, o viam com simpatia". Dizem que o próprio Nascimento Brito chegou a prever que, com os canais de televisão, Bloch e Silvio jamais trairiam o governo.

Dito e feito: uma das primeiras coisas que o SBT fez foi exibir um quadro "jornalístico" chamado "A Semana do Presidente", no qual, segundo a Veja, "mostrava imagens oficiais de Figueiredo, como se isso fosse a coisa mais interessante do planeta". Foi uma das várias formas de agradecer pelos canais que recebeu.

Silvio também nunca pensou em tornar o SBT maior que a Globo, o que fez que a coisa ficasse em casa também para Roberto Marinho. O autor destas linhas lembra até hoje do slogan "SBT, na nossa frente só você", uma reedição mais, digamos, sutil do antigo slogan "líder absoluto da vice-liderança". 10 pontos eram o suficiente para que Silvio tivesse uma estrutura empresarial que lhe convinha. Hoje, com a migração da audiência, 5 ou 6 pontos bastam.

Quanto à independência em relação ao dinheiro público, a primeira coisa que Silvio temeu quando Rachel Sheherazade (é assim?) falou do "marginalzinho" foi que o "SBT Brasil" perdesse o patrocínio da Caixa. Silvio proibiu os jornalistas da casa de opinarem mais por causa disso do que por qualquer compromisso com os direitos humanos. A parte mais sensível do corpo humano é o bolso.

Silvio não é um vendido aos governos, mas a imagem de velho caduco que ele exibe em seu programa dominical não condiz com a realidade. Ele é muito mais esperto do que se diz e sabe como ninguém o caminho para se obter boas vantagens. Ou, como se escreveu na matéria da Veja, "não que Silvio apoiasse politicamente os militares. Beneficiava-se deles".

E pra falar a verdade, que bom que Silvio não mandou bater no governo. A função do jornalismo não é essa...

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sobre fãs e fãs políticos


É difícil ouvir críticas às pessoas que a gente gosta. É difícil porque a gente acaba, direta ou indiretamente, tomando essas críticas para nós mesmos. A gente sofre com eles, nossos amigos, nossos pais, nossos irmãos, nossos vizinhos, nossos colegas de escola,... e nossos ídolos.

Falo por experiência própria. Quando saiu a treta da Taylor com a Nicki, quase perdi a compostura com o número de pessoas chamando a loira de racista e falsa. Também me irritei com o editorial do Independent dizendo que o feminismo da Taylor é "falso" porque é "branco". E me irritei profundamente quando Katy Perry - provavelmente num ato de vingança por "Bad Blood" (clipe abaixo) - disse que o feminismo da Taylor é hipócrita.



O truque aqui é respirar, contar até 10 e se colocar no lugar das duas pessoas. Você vai perceber que a maioria das pessoas, mesmo as que têm razão ao falar que não se pode ignorar o racismo, pensam mais com o fígado do que com o cérebro. Taylor errou, mas por interpretar um tweet errado. Nicki está certa ao dizer que há racismo na música, mas isso não faz da Taylor uma vilã - muito menos uma vilã racista. Ela só interpretou um tweet errado. O ideal era que as duas se entendessem, para o bem das causas que defendem, e não que os fãs ficassem discutindo quem tinha razão.


Enfim, a questão Taylor x Nicki foi resolvida, as duas subiram no palco do VMA para cantar "The Night Is Still Young", as experiências de militância de ambas - o feminismo de uma e o combate ao racismo de outra - estão de mãos dadas, finalmente. Vida que segue.

Mas fiquem tranquilos que isso não é mais uma aula da "Escola Musical". A verdade é que nosso ídolos não estão apenas nas artes. Muitos deles estão na política. E o artigo de Pedro Alexandre Sanches sobre a "misoginia" das críticas à sua "ídala" Dilma Rousseff mostra exatamente o ponto de que criticar nossos ídolos dói em nós mesmos.

"Todo mundo sabe que a misoginia campeia soberana nos terrenos férteis e lodosos da direita, de reinaldos e josias (esse último é o mais grotesco entre tantos misóginos antiDilma). Mas faz estragos também na blogosfera progressista, na parcela dela que não crê nas políticas do corpo como políticas de Estado".

"A atitude Desabonadora, Desqualificadora e Denegadora Diante de Dilma é generalizada na blogosfera progressista, nos professores de governo daquela que foi eleita e reeleita apesar de não saber governar. Esses, além de gastar 70% do tempo combatendo a corrupta e Decadente imprensa tradicional, Desperdiçam os outros 30% Depreciando uma presidentA que tem atravessado feito amazona uma floresta de espinhos. (Não sou nada bom em matemática, mas, noutras palavras, passam 30% do tempo ajudando a consolidar o ponto de vista da mídia Decrépita que Detratam em 70% do tempo.)"

Quem escreve estas linhas votou em Dilma (não, direitistas, eu não recebo nada do PT, nem Bolsa Família. Se recebesse pra falar bem da Dilma, não seria tão pobre). Não me arrependo. Foi um exercício de lógica: quem fica com o dinheiro que sobrou da crise internacional? O Coleguinhas explica melhor o assunto.

Não considerava Dilma uma "fraca" quando votei nela - eu jamais votaria em um político fraco. O problema é que o dinheiro começou gradativamente a sair do bolso dos pobres e passar para o "mercado". E era esse programa que o Brasil tinha rejeitado quando escolheu Dilma em vez de Aécio.

(Dizem que a estratégia era se render na economia para avançar em outras questões, já que o Congresso eleito era o pior desde 1964. Se a estratégia era essa, Dilma falhou, como prova a ascensão de Eduardo Cunha).

Basicamente, o PT venceu eleições porque seus governos deram passos importantes em realizar as tarefas mais urgentes no desenvolvimento social brasileiro. Não foi porque o partido do bem derrotou o "imperialismo americano", a "elite" e a "mídia golpista". Nem foi porque o malvado Foro de São Paulo manipula as pessoas. Foi porque o dinheiro chegava no bolso dos pobres.

O ajuste fiscal é o chifre que leva ao divórcio, para ficar no terreno das comparações. Durante os protestos de junho, muita gente chamava Dilma de corrupta e gritava "fora PT", mas mesmo quando a popularidade de Dilma caiu, ela continuou mais popular do que FHC em seus anos mais traumáticos. Depois do ajuste, o grito de "fora Dilma, fora PT" ganhou força entre aqueles que compunham sua base: os mais pobres, que viram conquistas de décadas serem ameaçadas pela tesoura de um ministro da presidenta que repetiu a palavra "social" nos debates mais do que qualquer outra.

A popularidade baixou a um dígito. E um governo impopular sempre tem mais dificuldade em dialogar com o Congresso. A crise nasceu daí. E é isso que fez Dilma enfraquecer. Não é o fato de ser mulher, mas o fato de não contar mais com o apoio popular que lhe deu força para vencer Aécio Neves em uma eleição disputadíssima. A oposição sempre se aproveita da falta de apoio de um governo para ganhar força visando eleições futuras - é o que está acontecendo nos EUA e vai acontecer na Grécia. É também o que o PT fez com Fernando Henrique, um presidente que saiu do poder... fraco.

Atribuir ao machismo as críticas que a esquerda progressista faz ao governo é uma miopia que só se justifica pela forma como os fãs da Dilma - e aqui eu excluo boa parte dos militantes mais críticos - sofrem com as críticas que fazem a ela, mais até do que a própria Dilma.

É claro que o Nassif, por exemplo, não é aquele jornalista com quem eu concordo. Se houvesse golpe todas as vezes que ele disse que ia ter um, o Brasil seria mais instável que o universo de "Game Of Thrones". Mas é estranho que as críticas vindas da esquerda à blogosfera progressista sejam direcionadas à contestação que essa blogosfera faz ao governo. Diz-se que eles fazem o coro da "imprensa golpista" - ou PIG, como diz Paulo Henrique Amorim (cria uma cobra e morrerá picado) - e que estão atrapalhando o governo (como se a função da mídia, de esquerda ou de direita, fosse ajudar algum governo). Teve gente que até mandou coisas como "perdemos a CartaCapital para o PIG", em razão de críticas que essa revista fez ao ajuste fiscal.

O truque aqui é respirar e contar até 10. Todo mundo que votou na Dilma, inclusive eu, pode criticá-la por qualquer coisa que ela fez, basta não concordar com ela. Apoiar um governo não significa aferrar-se a ele. Da mesma forma que o NY Times, apoiador de Obama, critica atitudes de seu governo. É essa a diferença entre apoio editorial e discurso de fã.

E você pode discordar de quem discorda do governo - usando argumentos, claro, e não a mera convicção de fã. É difícil, mas vale a pena porque ajuda a melhorar o ambiente político do Brasil, contaminado por discursos cada vez mais radicais.

O que não pode é atribuir uma falsa causa - machismo, misoginia, racismo, rendição ao PIG - para invalidar uma opinião contrária ao governo. Até porque fora dos fã-clubes, esse discurso não cola.

E ai de quem falar mal da Taylor nos comentários...

sábado, 22 de agosto de 2015

Dessa vez, eu vou ser o primeiro a palpitar nas Eliminatórias


Fala pessoa que está lendo este artigo, beleza? E aí, já tá preparado pras Eliminatórias da Copa da Rússia em 2018?

Sim, esse artigo vai falar do esporte futebol, não das mutretas que acontecem em torno dele, portanto, se você é mais um daqueles que pensa que o brasileiro dá muito valor pro futebol e que não vai "compactuar" com tais atividades "ilícitas", vai lá assistir seu Game Of Thrones (que é produzido pela HBO), ou seu MasterChef (que, no Brasil, é transmitido pela Band), ou jogar seu League of Legends (que é distribuído pela Riot Games), ou assistir Os Simpsons (transmitido pela FOX), ou até a NBA, NFL, UEFA Champions League, MMA, UFC etc. Seu acesso já foi registrado, obrigado.

Esse artigo é sobre o meu palpite (e só o meu palpite) sobre o que vai acontecer nas Eliminatórias da CONMEBOL para a Copa do Mundo da Rússia. Veja se você concorda:


Eu sei que tem muito chão pela frente, as coisas mudam. Meu palpite foi baseado em tudo o que vem acontecendo desde a Copa de 2014 até aqui.

A Argentina terminaria em primeiro porque, ultimamente, é o melhor time da América do Sul, não só pelos jogadores (Messi, Tevez, Aguero, di Maria, Mascherano, Higuain etc.), mas também pela disciplina tática que a equipe está mostrando.

O segundo lugar ficaria uma briga entre o Chile e o Uruguai, o Uruguai tem seus jogadores com uma vantagem técnica sobre os chilenos, porém, o Chile tem um time mais completo, que não sente tanto os desfalques. Essa característica do time chileno faria o Chile levar a 2ª posição.

A última vaga e a vaga da repescagem ficariam numa disputa mais equilibrada. A Colômbia levaria a 4ª vaga porque já tem um time montado a mais tempo, ao contrário do Brasil, e não depende tanto de um só jogador, ao contrário de times como Peru, Paraguai e Equador.

O Brasil só ficaria com a repescagem pelo fato da qualidade técnica dos jogadores (convenhamos, não são os jogadores que são o maior problema da seleção). O Brasil não forma um time e parece não se esforçar pra isso. Além disso, dá muito valor pra opinião da torcida, mas, ainda se classificaria porque o Peru, o Paraguai e o Equador não teriam pique para aguentar todo o campeonato e o adversário do 5º lugar da CONMEBOL é o campeão da OFC (Nova Zelândia, praticamente).

Se alguém pode me surpreender positivamente é o Paraguai, já que o esforço deles é de montar um time, e a Copa América mostrou que eles estão no caminho certo. E se alguém pode me surpreender negativamente é o Uruguai, já que possui jogadores "muito experientes" e não possui substitutos à altura.

Águas vão rolar durante os próximos anos, mas, eu não acho que mudanças drásticas vão ocorrer no futebol sul-americano.

E fique ligado, o Um Pouco do Nosso está planejando algo legal pra essas Eliminatórias. Se ninguém comprar os direitos de transmissão até o dia 30 de agosto, a OFC vai passar as Eliminatórias da Oceania no YouTube. Assim, o Um Pouco do Nosso vai ser o primeiro blog brasileiro da história a acompanhar um evento como esses pra saber quem vai enfrentar o Brasil na repescagem. Interessante, não?

Então, não perca tempo e acompanhe-nos.

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terça-feira, 21 de julho de 2015

O Google alguma vez já te disse "isso não é verdade"?


Será que a googlada é uma boa ferramenta para formar opinião? A pergunta surge quando pessoas discutindo sobre política, economia, religião, saúde entre outros começam a se embasar por pesquisas realizadas no Google.




Uma frase que vem se espalhando ganha sentido nesse contexto: "A internet é terra de ninguém". "Terra de ninguém" porque todos os pontos de vista são colocados e publicados nela. Pessoas que têm argumentos diferentes sobre vários tipos de assuntos postam em blogs (assim como eu to fazendo agora hehehe), comentam em fóruns e redes sociais e compartilham notícias a todo instante.

Como todos já sabemos, o Google é uma ferramenta de pesquisa que pega as palavras ou a frase que você joga na barra de texto e procura frases parecidas ou iguais às digitadas em inúmeras páginas do mundo todo. Nós também sabemos que existe aquela "pesquisa avançada" do Google que faz com que o resultado seja ainda mais convincente, mas, sejamos sinceros, qual é a frequência de uso dessa ferramenta?

O resultado da pesquisa é aquilo que queremos ver. Se digitarmos "Lula pediu habeas corpus" vão aparecer resultados de notícias que mostram que foi o Lula que pediu, antes do verdadeiro autor do pedido aparecer (lembra desse caso?). Podem até aparecer resultados desmentindo a informação, mas, não estarão no início, porque pro Google (que é uma máquina), você não queria ver isso.

Pra comprovar, foram feitas algumas pesquisas supondo opiniões diferentes sobre assuntos variados. Aqui estão quatro resultados interessantes (as únicas montagens que eu fiz foram para retirar os anúncios, eu juro!)


O Resultado da Seleção na Copa América deixou uma dúvida na cabeça de muitas pessoas. Até na do Google.

Nessa semana, a Bela Gil causou uma polêmica falando que escova os dentes com cúrcuma (como se isso fosse motivo de polêmica). Aí eu perguntei pro Google.

Fato ou crendice? Essa nem o Google sabe.

Ah Google, agora você tá tirando uma da minha cara!

Viu aí? Se o Google não consegue nem responder se galinha voa ou não, imagina usar as respostas dele pra falar de gestão política, socialismo x capitalismo, corrupção nos partidos, sintomas de doenças, doutrinas religiosas etc. É um desastre!

O Google deve ser usado para o fim que lhe foi dado, ferramenta de pesquisa, é um apontador dos caminhos. Não use a "googlada" para formar opinião. E eis aqui algumas dicas de como usar o Google de uma maneira mais certa:

  1. Aprenda a opinião adversa: Não é só ler, aprender também. Aí você vai ter argumentos mais válidos para defender a sua opinião.
  2. Procure fontes confiáveis: Fontes confiáveis no geral, não só na sua opinião. Se você tem mania de boicotar fontes (G1, Veja, R7, Carta Capital, LanceNet etc.), tenha em mente que isso é uma hipocrisia.
  3. Yahoo Answers e Wikipedia não são tão confiáveis: Como sabemos, as informações de sites desse tipo são editadas por usuários. Por mais que existam pessoas bem intencionadas, os idiotas ainda enfestam a "terra de ninguém".
Agora, pra finalizar, deixa eu tentar ser poético pra tentar fixar de vez onde eu quero chegar. A-ham:

"A googlada é como um canto de uma sereia, cantando o que o navegante da web quer ouvir e atraindo-o para um mar de desinformação e confusão."

To aprendendo, hein? 


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